SUBINDO COM BIKES TT

Por Maximilian

SUBINDO COM BIKES TT

Ontem à noite, recebi do grande Alex Valverde - carioca de nascença, gaúcho por manobra do destino, 4 IM na bagagem e um quinto à caminho - um email com a seguinte colocação:

"A proposito Max, tenho uma boa questão para vc (.......) colocar em debate no blog, e ver se chegamos a uma conclusão. Pois eu tambem tenho interesse na questão:
Qual a melhor maneira de se subir uma montanha com uma bike TT, no nosso caso uma P3??
Sentado no banco, em pé, no clip, como será??
Até hoje depois de 4 Ironmans não cheguei a uma conclusão ou opinião a respeito, subo na raça mesmo!!
Ta ai assim como eu deve haver varios outros atletas com essa dúvida!!!
O que vc acha da questão??"

Eu acho a questão muito oportuna. Subir com bikes TT é um tópico cercado de mitos e fatos, alguns dos quais vamos tentar dissecar:

MITOS

um dos mitos mais propagados do Triatlon é o de que bikes de TT "não sobem". Realmente, a bike de TT não sobe, e nem a de estrada, e nem a MB. Quem faz a bike subir é o atleta, e como em geral o triatleta não faz treinos específicos e regulares visando subir melhor, nem ele nem sua bike sobem.

Tirando da equação o peso que nos cabe, a subida exige, em termos de posicionamento do ciclista, duas coisas que a bike de TT não somente não oferece como praticamente inviabiliza: aliviar o peso no guidão, elevar um pouco o tronco, e sentar-se bem recuado em relação ao movimento central. Trocando em miúdos, não é que a bike de triatlon não suba bem. Ela simplesmente não foi desenhada para subir, e isso redunda em uma conclusão a que muitos já devem ter chegado por experiência própria: se você tiver uma bike de estrada e outra de TT, e fizer, por exemplo, o desafio da Serra de Campos com uma e depois com a outra, nas mesmas condições físicas e meteorológicas, tenho certeza que subirá mais rápido na de estrada, porque o desenho dela permite uma posição de subida mais adequada.

FATOS

Creio que o caminho para subir bem em bikes de TT e vencer as limitações impostas pela geometria envolve os seguintes pontos:

- CADÊNCIA: em provas, ajustar o câmbio para manter em torno de 90 RPM, evitando queimar as pernas em rotações baixas, que exigem mais potência e acabam drenando a musculatura precocemente; em treinos, vale o trabalho intervalado com rotações baixas (força) e giro alto para recuperar;

- POSIÇÃO: nos exercícios de força (giro baixo), acho válido tentar manter a posição aero para fortalecer a musculatura específica; no giro rápido, melhor ficar fora do clip para descansar. Só que ao subir sentado, é bom lembrar de tirar o peso do guidão (e por conseguinte da roda dianteira), e sentar o mais para trás possível. Subir em pé também é válido, para descansar a musculatura, ou alongar as pernas. O que acho pouco aconselhável é despejar quantidades imensas de potência sprintando de pé subida acima, principalmente se for necessário correr distâncias mais longas depois.

- TREINAMENTO: o bom treinamento para subidas traz vantagens para percursos planos também, e deveria ser incorporado no período de base de todo o triatleta. É um erro crasso pensar "na minha prova não tem subidas, então não vou treinar pra isso". Um dos componentes mais importantes do pedal eficiente é a força, e Força é um fruto cuja árvore só cresce em Serras e Subidas.

QUAL BIKE USAR:

Se vc. tem duas bikes, quem dita isso é o percurso. Provas como o 70.3 de Mônaco, que além de subidas tem curvas tipo "cotovelo", são bom terreno para bikes de estrada. Mesmo o 70.3 de Pucón pode ser feito com mais eficiência em uma road bike com clip. O meu raciocínio nesse ponto é: toda a vez que eu sou forçado a sair da posição aero (exceto para esticar as costas ou beber água ou comer), estaria melhor em uma bike tradicional.

Esses são alguns dos meus pontos de vista, e desde já convido outros com mais experiência ou visões diferentes para se manifestarem. Quanto mais opiniões, e mais diversas, melhor para que cada um forme o seu conceito.

E obrigado Grande Alex pela sugestão de tópico.

m.